Mostrando postagens com marcador Manifestação discente. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Manifestação discente. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Opinião: A ocupação da UFFS e suas pautas


OPINIÃO

O Comunica inicia hoje a coluna Opinião, um espaço democrático de publicação de artigos autorais da comunidade acadêmica do campus Erechim. A coluna publica textos não apenas de bolsistas do projeto, mas de todos aqueles que desejam manifestar pontos de vista sobre a vida da UFFS.




A ocupação da UFFS e suas pautas

Andrei Vanin (acadêmico do curso de Filosofia)

O intuito do texto é tentar estabelecer um parâmetro de análise quanto à legitimidade da ocupação no campus da UFFS Erechim. Há alguns dias, um pequeno grupo de estudantes ocupa o saguão da Universidade Federal da Fronteira Sul no Campus Erechim. Segundo informações deste grupo, o motivo da ocupação era, no primeiro momento, reivindicar pelo aumento do valor do auxílio socioeconômico de R$ 400,00 para R$ 700,00. Somaram-se a essas pautas, a “contratação de uma assistente social para realizar as análises socioeconômicas, a antecipação do pagamento de auxílio, o restaurante universitário provisório, a contratação de mais professores (para as áreas de engenharia ambiental e agronomia), o uso de laboratórios, o acesso aos livros e as aulas de campo para agronomia e engenharia ambiental”.

Quanto ao valor do auxílio, há que se ressaltar que são chamados auxílios, porque sua função é auxiliar na permanência do estudante na universidade. Não é pagar um salário para o aluno estudar. Cobrar um auxílio no valor de R$ 700,00 é, no mínimo, uma pretensão exagerada, visto que as bolsas de pesquisas de órgãos como CNPq e CAPES estão balizadas no valor de R$ 400,00 - ver em <http://www.cnpq.br/web/guest/no-pais>. A reivindicação quanto à contratação da assistente social parece ser fato solucionado pela direção do campus, já que segundo esta esbarrava em questões apenas burocráticas. 

Porém, as "questões burocráticas" parecem o “carro de discurso” da direção há pelo menos quatro anos - para isso, basta olhar para a questão do trevo de acesso ao campus definitivo da UFFS. Quanto à antecipação do auxílio, em tese, deve-se seguir as datas de pagamentos previstas no edital. Como as aulas começaram em março, de fato parece razoável o pagamento de auxílios já no mês de maio. Quanto ao restaurante universitário, existe um auxílio destinado exclusivamente à alimentação. Então, ou se pede por restaurante universitário, ou por auxílio alimentação. Visto que o campus definitivo ainda não se encontra pronto, é mais razoável pedir por auxílio alimentação do que por um restaurante universitário. 

Quanto à contratação de professores, como informou a direção numa nota, já se está trabalhando para resolver o problema nos cursos de Engenharia Ambiental e Agronomia. De fato, a falta de professores está em questão na universidade há bastante tempo. Resta salientar que a formação dos acadêmicos não foi prejudicada diretamente pela falta de profissionais qualificados, visto que a formação do acadêmico não depende exclusivamente de professores ‘especializados’. Quanto ao uso de laboratórios, assim como da biblioteca, pode-se dizer que uma universidade que ainda se encontra em construção pode carecer de alguns materiais. É preciso, porém, se concordar plenamente que faltam materiais. A biblioteca tem referências mínimas e que os próprios avaliadores do MEC apontaram como insatisfatórias. Isso prejudica a formação dos acadêmicos, na medida em que faltam subsídios bibliográficos. Muitas das referências bibliográficas essenciais ainda não foram adquiridas, porque esbarram em questões burocráticas (como nos casos do trevo de acesso ao campus definitivo, da contratação da assistente social, do pedido de licença médica para professores, da construção do campus definitivo, na duplicação da BR que dá acesso ao campus, e tantas outras) . Há que se melhorar sim, mas é preciso um pouco de calma por parte dos calouros, especialmente para os que parecem mais preocupados em fazer movimentos de mobilização popular do que propriamente se deterem aos estudos.

Olhando para o perfil do movimento, ele é legítimo, pacífico e se auto intitula “democrático”. No entanto, a ocupação do saguão da universidade se deu sem a apresentação de uma pauta prévia e parece muito mais um movimento político, que quer aparecer para a mídia e para a universidade, do que propriamente se comprometer com os rumos da universidade, visto as pautas e a forma como essa minoria conduz o movimento. Se realmente algumas reivindicações fizessem sentido e fossem urgentes, mais acadêmicos estariam unidos ao movimento, não apenas a minoria que veio de outros estados, ou os que se identificam com uma causa política, na maioria das vezes pouco pragmática, e bastante utópica. 



quarta-feira, 17 de agosto de 2011

As reivindicações e carências da UFFS

 Andrei Vanin (Filosofia)

A UFFS, por ser uma Universidade “nova”, ainda carece de algumas estruturas e até mesmo de experiência em algumas áreas. Temos que ter em vista o caráter provisório das instalações e certas carências que esta vem sofrendo, como de fotocopiadoras e outros. Da perspectiva discente, cabe ressaltarmos que o DCE eleito há poucos meses tem influenciado ou se dedicado a buscar soluções junto à direção do campus. Não obstante os esforços, nem sempre – até mesmo por forças burocráticas a que uma instituição está submetida – as soluções ou os resultados não são imediatos. Escrevo isso para ressaltar a pertinência que a união dos estudantes deve exercer junto ao campus.


Nas primeiras semanas de aula, algo chamou atenção de todos: cartazes pendurados nas paredes de nosso campus, de caráter crítico e tomados de sarcasmo. Não pretendo discordar totalmente do que os cartazes manifestam; porém, criticar bolsas e auxílios é, na minha opinião, um tanto equivocado. E por dois motivos muito simples. O primeiro é que desconheço Universidade que em seu segundo ano de funcionamento consiga - ou conseguiu - contemplar praticamente todos os alunos com bolsas de iniciação cientifica e permanência, bem como auxílios. O segundo é que um “incentivo financeiro” é nada mais que uma complementação do objetivo que o Ensino Superior tem, ou seja, o enfoque na pesquisa e na extensão. Assim, soa estranho manifestar-se contra bolsas e auxílios. Hoje, quase todos os alunos participam de um ou outro Projeto de Extensão ou Pesquisa, sendo muitos deles remunerados e com um valor relativamente bom. Se somarmos bolsa de iniciação mais auxílios, beiramos a faixa de um salário mínimo. Acho, pois, inoportuno escrevermos em cartazes “bolsa miséria”. Talvez, nesse momento, é o que de melhor a Universidade consiga oferecer a seus alunos.

Imagem: cartaz de manifestação discente no campus Erechim.


Entretanto, algumas manifestações devem ser feitas sim. Até para não pensarmos que a Universidade está uma "maravilha". A infraestrutura ainda é deficitária, mas é de caráter provisório - apenas no dia 15 de agosto “inauguradas” as salas que estavam sendo construídas ao lado da atual estrutura do seminário – finalmente.

Também devemos nos preocupar com a estrutura definitiva – em fase de construção – na BR 153: o prazo de entrega, as mudanças na rodovia para acesso à Universidade, o RU, alojamentos para estudantes e afins.

Por fim, se nós alunos ficarmos “disputando” forças, ao invés de formamos uma só e que seja sólida e tenha voz, não teremos força para lutar por nossos interesses. O fato de termos ideais diferentes não é o melhor argumento para dividirmos e ignorarmos uma tentativa de união. Sendo assim, os coordenadores do DCE e o grupo de alunos que confeccionou os cartazes deveriam, juntos, buscar soluções e propostas para solucionar as questões políticas entre os discentes, para então se buscar alternativas para as carências e deficiências que a Universidade vem enfrentando. O importante é que o Ensino, a Pesquisa e a Extensão não sejam prejudicados e que notemos melhoras nestas reivindicações que estão sendo feitas. Ao DCE e aos alunos mais “revolucionários”, nosso desejo de boas lutas para o bem da Universidade.